Teacher on Demand

English Language Teaching in Brazilian settings

Boys in rags are not welcome


A while ago I used to play a farm simulation game for Android-based devices named Hay Day [https://play.google.com/store/apps/details?id=com.supercell.hayday]. Categorized as a family game (that should sound like harmless) on Google Play, the player is supposed to be a farmer in charge of producing vegetables, dairy, whool and other products as well as marketing them. A neighbour or so might occasionally walk up to your front door and ask for some of your production in exchange for virtual money.

Well-dressed are welcome

Two well-dressed ladies wait inside the “farmer’s property” to buy eggs and some milk.

No big deal, right?

That’s right, until you realize there is a very particuar character who never actually enters the farm. Can you spot it in the following screen capture?

Boy in rags never enters the farm

Boy in rags never enters the farm

There he is by the dirty road, standing until the farmer needs his little hand. His function, as a game character, is to fetch products that are missing in the farm, for the convenience of the farmer. If the farmer needs something, (s)he just asks him and the boy will fetch it. When he’s done with the job, he might eventually feel tired and relax for the next hours… laying on the grass by the dirty road across from the farm entrance.

You may sleep there, poor little boy, as long as you don't cross the farm entrance!

You may sleep there, poor little boy, as long as you don’t cross the farm entrance!

The character is actually a slavish little boy wearing rags who is not welcome inside the property – at least in the game designers’ minds – and never shares the same space the other characters (who look much more comfortable in their clothes) take in the farm.

Don't you feel there's something wrong here, in human terms?

Sleepy boy in rags

Don’t you feel there’s something wrong here, in human terms? Don’t you feel like the game design could be much better setting the layout and deciding where each element belongs to. Moreover, Doesn’t it seem obvious that not noticing the character’s particular condition as we take part in the “family game” speaks volumes about who we are and how much education we still need to develop as a society?

May 14, 2015 Posted by | Point of view | , | Leave a comment

Vidas digitais 4


Quando nós, professores de linguagem, falamos sobre letramento digital, não podemos ignorar as condições em que os usuários do ciberespaço  – da internet, da hipermídia – exploram a linguagem e constroem conhecimento.

Na publicação intitulada Vidas digitais 3, neste blogue, sustento a possibilidade de que o ciberespaço seja um território linguístico fértil para o desenvolvimento e exercício da cidadania (clique aqui para saber mais). Há, contudo, contrapartidas menos otimistas sobre o papel da hipermídia na vida das pessoas. Antes de conhecê-las, detenhamo-nos em algumas considerações sobre o espaço e o tempo na internet:

Para Marc Augé (1994), vivenciamos um processo de ruptura do espaço-tempo. Os usuários do ciberespaço habitam um não-lugar, um espaço isento de relações simbólicas, míticas, identitárias e históricas – relações fundamentais ao desenvolvimento do sujeito social e do sujeito cultural.

O pensador Norbert Elias (1998) utiliza uma metáfora interessante para analisar a cultura moderna:

“Li, certa vez, a história de um grupo de pessoas que subia cada vez mais alto no interior de uma torre desconhecida e muito elevada. Os da primeira geração chegaram até o quinto andar, os da segunda, até o sétimo, os da terceira até o décimo. No correr do tempo, seus descendentes atingiram o centésimo andar. Foi então que a escada desmoronou. As pessoas se instalaram no centésimo andar. Com o passar do tempo, esqueceram de que um dia seus ancestrais haviam habitado os andares inferiores, e também a maneira como elas mesmas haviam chegado ao centésimo andar. Passaram a considerar o mundo, bem como a si mesmas, a partir da perspectiva do centésimo andar, ignorando como os seres humanos haviam chegado até ali. Chegavam até a acreditar que as representações que forjavam para si a partir da perspectiva de seu andar eram compartilhadas pela totalidade dos homens” (p. 108).

O centésimo andar, ou a cultura pós-moderna, está habitado, para Elias, por um grupo cuja identidade sofre de uma perda de contato com sua história e percebem a si mesmos como sujeitos atemporais, sujeitos de um único tempo.

Além da mudança na percepção de espaço e tempo, ganhamos velocidade, e a imersão da sociedade no que Paul Virilio (1993; 1997) chama de dromocultura (do grego, dromos, que significa corrida). Para o autor, a velocidade é resultado da compressão do espaço e tempo e induz os indivíduos a uma multiplicidade de significados, porém efêmeros e descartáveis, bem como pouco espaço para a reflexão.

A teoria da inteligência coletiva, concebida por Pierre Lévy, reconhece, ainda, a formação de um corpus de informação público baseado no conhecimento gerado pela atividade da coletividade no ciberespaço e armazenado na nuvem. Alguns debates têm apontado que o usuário da internet pode estar propenso a substituir certas funções da memória pelo acesso eletrônico à informação.

Em síntese, o usuário da hipermídia pode estar em todo lugar e não estar em parte alguma; pode experimentar a condição de solidão e pertencimento ao mesmo tempo; pode acessar informação diversa em velocidades há pouco tempo inimagináveis; também, sua representação do mundo não depende mais do lugar físico que ocupa.

Por um lado, essa configuração pode garantir às pessoas a oportunidade de articulação social irrestrita, já que as relações não dependem mais de proximidade espacial, bem como de articulação política, potencializando os processos democráticos, eliminando níveis hierárquicos e garantindo voz a cada um igualmente. Por outro lado, Virilio é menos otimista quanto a essas possibilidades políticas, já que, segundo o autor, no ciberespaço o senso comum é inflacionado. Além disso, a compressão espaço-tempo implica em que o homem tenha rompido a relação ancestral que até há pouco mantinha com a imobilidade (estar em um lugar apenas), e talvez não tenha tido tempo de se adaptar a essa nova condição, em prejuízo da percepção coletiva de civismo. De modo semelhante, a possibilidade de acesso eletrônico ao banco de informações armazenado na nuvem pode ser mais atraente, ao usuário, do que o uso da própria memória, muitas vezes em prejuízo de processos cognitivos essenciais à aprendizagem e à construção do conhecimento.

Nessas condições, portanto, o desenvolvimento de capacidades linguísticas e o desenvolvimento da cidadania no contexto da hipermídia parecem estar sujeitos à consciência que o usuário tem da configuração espaço-tempo e da posição que ocupa nesse cenário, de seu lugar na cultura (que não é mais local) e na sociedade. Ou seja, o processo de letramento digital depende do quão consciente o usuário está sobre essas condições, e de quais são as implicações desse quadro sobre a sua interação com o mundo.

May 9, 2012 Posted by | Digital Life, Point of view | , , , , | Leave a comment

4 razões a favor do ensino laico


1- TODAS AS PERSPECTIVAS RELIGIOSAS SÃO RESPEITADAS

O laicismo não implica em ignorar a religião. Pelo contrário, implica em que todas as perspectivas religiosas (crenças, como o catolicismo e o budismo; e não crenças, como o ateísmo) sejam respeitadas.

2- REDUZEM-SE AS POSSIBILIDADES DE CONSTRANGIMENTO ENTRE ALUNOS

Algumas doutrinas religiosas acabam servindo como parâmetro de diferenciação entre as pessoas. Discursos como “pessoas que acreditam em X são mais dignas do que aquelas que acreditam em Y” são comuns dentro das igrejas e dos círculos religiosos, mas, dentro da comunidade escolar, representam um estímulo perigoso ao constrangimento e à segregação entre membros (alunos, por exemplo) e não devem penetrar o espaço da sala de aula. O laicismo pressupõe impedir que esse tipo de variável comprometa a aprendizagem.

3- ASSEGURAM-SE AS CONDIÇÕES DE DEBATE E QUESTIONAMENTO

As certezas e verdades religiosas tendem a obstruir dois processos fundamentais na aprendizagem: o debate coletivo e o questionamento filosófico. Pressupostos como “todas as verdades estão em um livro sagrado e são inquestionáveis sob pena de condenação” têm força restritora sobre o acesso ao conhecimento. O aluno tem o direito a receber contribuições de pontos de vista múltiplas, debatê-las, e ser encorajado a buscar verdades baseadas em coerência, não em doutrinas ou cânones. Têm direito, portanto, a um ambiente laico.

4- FAVORECE A IGUALDADE

Um contexto em que nenhuma perspectiva religiosa (incluindo o ateísmo) recebe destaque em detrimento das outras é um contexto em que a igualdade é evidentemente favorecida.

April 5, 2012 Posted by | Point of view | , , | Leave a comment

Ildevânia comenta #2: religião e a escola


Comentários como "Todas essas guerras acontecem por que essas pessoas não têm Jesus no coração" são um pecado mortal - com o perdão da expressão - para um professor.

Hoje eu estava lendo este blog, e descobri uma enquete sobre a manifestação religiosa pelo educador. A enquete pergunta se a educação deve ou não ser laica e fornece a opção de resposta:

“Eu acredito que o professor não precisa, necessariamente, tratar sobre temas religiosos em sala de aula, mas ele goza do direito de expressar sua religião livremente.”

Como assim? É opcional? Tanto faz? – Quem responderia um absurdo desses entende alguma coisa sobre educação? Se for professor, será que sabe o que faz?

Basta pensar um pouco (não precisa muito!) sobre suas responsabilidades como educador para descobrir as inconveniências de manifestar parcialidades religiosas no seu trabalho.

Primeiro, a religiões são formações que se opõem entre si em julgamentos sobre o que é certo e errado e, portanto, apresentam diferenças de valores morais, o que torna o território religioso propenso a acentuar diferenças e delimitar grupos. Na escola, que é um contexto predominantemente heterogêneo (e é saudável que assim seja), a parcialidade religiosa de um professor não poderia ser mais prejudicial à colaboratividade entre os aprendizes!

O educador que traz questões religiosas à tona deliberadamente, corre o risco de fazer emergir parâmetros de diferenciação entre seus alunos que podem comprometer a aprendizagem e a socialização do grupo.

Além do caso notório da professora que expulsou um de seus alunos da sala, sob acusações como “filho do capeta”, após ter descoberto colares de contas (típicas de religiões de matriz africana) que usava sob o uniforme, conheço casos mais sutis, mas que têm impacto igualmente destrutivo sobre os alunos.

Há a história, por exemplo, do professor de Língua Portuguesa que decidiu não trabalhar com livros que exploram culturas afro-brasileiras em suas aulas de literatura, especialmente motivado por frequentar uma igreja evangélica.  Este aparentemente negligencia a sua função de educador e compromete o currículo escolar sem cerimônia ou dor na consciência.

Mais sutil e perigosa, ainda, é a abordagem do professor que cita seus valores religiosos para avaliar fatos históricos. Comentários como “Todas essas guerras acontecem por que essas pessoas não têm Jesus no coração” são um pecado mortal – com o perdão da expressão – para um professor. O aluno judeu, islâmico, budista, ateu, ou de qualquer outra origem não cristã (e que, portanto, não reconhece Jesus como divindade) pode ser promovido a culpado e associado a perigo ou ameaça (ou se sentir assim).

[Atualização em 03/04/2012] Mais recentemente, ainda, a prática de uma professora que conduzia sessões de oração em suas aulas em Miraí, MG, acabou se tornando um constrangimento para aluno ateu, que passou a ser depreciado pelos colegas por recusar participar das sessões.

Ignorar a hipótese de constrangimento e de conflito e correr tal risco revela a postura irresponsável de quem não está propriamente interessado em proporcionar situações de aprendizagem saudáveis. Não faça isso, OK, professor?

“Mas a manifestação de crenças religiosas é um direito constitucional” – retrucará aquela pessoa que não se deu ao trabalho de entender a seriedade profissional a que convido aqui. E eu responderei: escolha uma outra profissão qualquer.

Profa. Ildevânia Siqueira

January 21, 2012 Posted by | Point of view | , , , | Leave a comment

Bullying, a escola e os alunos homossexuais


Professor, você tem alunos homossexuais? Se sim, como se posiciona com relação às práticas de bullying dirigidas especificamente a eles?

Os homossexuais compõem um  grupo minoritário que frequentemente sofre intimidação, humilhação, calúnias e agressões físicas, incluindo espancamento e morte. Trata-se de um fato confirmado não apenas nas escolas, mas também do lado de fora.

O pressuposto básico para a prática do bullying é perceber o diferente como inferior e acreditar na homogeneização das pessoas. Dentro da escola, os alunos evidentemente reconhecem diferenças entre si, o que é um processo mais que desejável enquanto constroem suas identidades e suas representações sobre o outro. O perigo está em reconhecer na diferença um problema ou um prejuízo para a comunidade. Adolf Hitler é o maior cliché dessa cultura, que levou a prática de perseguição às mais absurdas e inconcebíveis consequências.

Ao lado dos gordinhos pouco afeitos a esportes, dos meninos franzinos que aparentam fragilidade, e das meninas de traços nordestinos e comportamento introspectivo, entre muitos outros, os alunos reconhecidos como gays são comumente sujeitados a rotinas muito pouco confortáveis de agressões morais e físicas na escola, e isso, sem nenhuma sombra de dúvida, tem um impacto indesejável sobre a qualidade da educação que a escola oferece a essas minorias.

A escola concebida como inclusiva talvez devesse entender os grupos minoritários e avaliar a que tipo de cultura fornece suporte. Ela deve se perguntar “Nós somos uma instituição homogeneizante, que acredita na inferioridade de um grupo em detrimento do outro e na necessidade de padronização, ou dispomos de uma filosofia heterogeneizante, que valoriza a diferença horizontalmente?”

Outra pergunta fundamental que a escola deve se fazer é “Nós conhecemos o ponto e vista de nossas minorias?” Se a resposta for “não”, vale a pena investir em um esforço reflexivo para descobrir porque essa informação não foi considerada importante até agora.

O documentário em curta metragem nacional Não Gosto dos Meninos (2011), de André Matarazzo e Gustavo Ferri, é uma tocante obra que reúne depoimentos de várias pessoas gays e que pode ajudar a escola a entender a perspectiva e os dilemas enfrentados pelos homossexuais na escola, na família e na sociedade. A seguir, o documentário completo (18 min) via YouTube:

November 1, 2011 Posted by | Point of view, Teaching resources | , , , , | 2 Comments

Ildevânia comenta


Obcecada por crenças na educação, a Profa. Ildevânia não deixa escapar nada.

Hoje eu li no Twitter, no perfil de uma professora:

“antes era o orkut, agora é facebook e smartphone. não sei mais como incutir nos meus alunos q internet não leva a nada”

Que mania é essa agora de andarem dizendo por aí que os professores devem incutir ideias aos alunos? Eu não sei incutir nada a ninguém e tenho medo de quem saiba! Incutir é impor, é fazer questão, é estabelecer uma situação de baixa negociação, e nada disso tem a ver com ser professor. O que mais me impressiona é que parece que essa ideia de “incutir” foi “incutida” na cabeça de algumas pessoas, e nunca mais saiu de lá! Professora, passa pela sua cabeça que o aluno é um receptorzinho de informação e de comandos que está com defeito e não obedece?

“Sujeito individual de cognição, com disposição para condicionar hábitos e valores” não é lá a maneira mais inteligente de ver seus alunos! Isso se parece mais com o perfil de fiéis que aquele pastor da igreja da esquina, que está faturando muito com dízimo, gosta de ter! Alunos estão muito menos dispostos a serem doutrinados, então melhor desistir de incutir-lhes coisas.

E essa crença de que a internet não leva a nada? Minha senhora, por onde a senhora anda navegando pra ter uma visão dessas? Desculpem se estou sendo antipática, gente, mas essas crenças são de arrepiar!

Profa. Ildevânia Siqueira

September 19, 2011 Posted by | Point of view | , | Leave a comment

Tecnologias e a educação brasileira


Você sabia que as escolas brasileiras dispõem, em média, de 23 computadores instalados cada uma? Você sabia que desses 23 computadores, apenas 18 funcionam?

Essas são algumas das informações divulgadas pelo Cetic – Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação – na pesquisa TIC Educação 2010, que investigou não apenas a infraestrutura material das escolas, mas também a maneira como a equipe escolar se relaciona com as tecnologias digitais.

Infraestrutura material:

Os números* do Cetic indicam que 81% das escolas possuem um laboratório de informática com, em média, 18 aparelhos funcionando. 52% delas dispõem de um monitor responsável. 90% dos professores possuem equipamento de informática em casa, prevalecendo os computadores de mesa (86%) sobre os portáteis (48%), mas apenas 81% declara dispor de conexão com a internet em seus domicílios.

Quando convidados a falar sobre esses dados, professores apontam o número insuficiente de computadores na escola como principal obstáculo para o uso das TIC, seguido pelo número insuficiente de aparelhos conectados à internet. Conexão de baixa velocidade ou ineficiente, ausência de suporte técnico, equipamentos obsoletos e a falta de tempo e apoio pedagógico para a utilização das tecnologias são problemas também apontados pelos educadores.

A pesquisa também revela que as TIC têm pouco espaço na sala de aula. Apenas 4% das escolas dispõem de tecnologias no espaço da sala de aula propriamente dito, por conta da centralização de equipamento em salas especificamente voltadas para informática (ou outros espaços, como sala de professores, salas ocupadas por gestores e bibliotecas).

O computador ainda não penetrou o espaço da sala de aula. A sala de informática é o espaço específico utilizado para aprender com o apoio da tecnologia.

Cultura escolar:

Outros fatores que podem influenciar sobre as condições da oferta de letramento digital na escola estão relacionados às crenças e perspectivas motivadas culturalmente ou pela formação profissional da equipe escolar. Entre os 1541 professores entrevistados, por exemplo, 64% acreditam que o aluno tem mais conhecimento sobre tecnologia do que o docente. Parcelas consideráveis – de mais de 30% – não confiam no conteúdo da internet e acreditam que a rede pode trazer algum tipo de malefício sobre o usuário, como distorção da percepção de realidade e sobrecarga de informação. Outros docentes declaram, ainda, preferir métodos tradicionais de ensino ou não ter conhecimentos técnicos e pedagógicos para a utilização das TIC em favor de sua prática.

Para professores vinculados à Redefor, o impacto social das tecnologias justifica a necessidade de a escola oferecer a experiência do letramento digital a seus alunos.

O levantamento feito pelo Cetic dialoga bastante com a discussão levantada pelo artigo “O Novo professor e o Cenário Tecnológico“, publicado neste blog. Os docentes envolvidos no curso da Redefor apontam para os mesmos problemas de natureza estrutural, mas apresentam pontos de vista mais otimistas sobre a utilização das TIC na escola.

Em fóruns especificamente conduzidos para discutir o assunto, professores de inglês apontam as demandas digitais de letramento como a principal justificativa para a incorporação das tecnologias à estrutura física e cultural das instituições de ensino fundamental e médio. Na perspectiva desse grupo docente, as novas condições de uso da língua causada pela popularização das tecnologias de informação e comunicação demandam habilidades linguísticas sobre as quais a escola deve estar atenta e não ignorar em seu currículo.

Os resultados da pesquisa TIC Educação 2010 podem ser consultados integralmente em http://www.cetic.br/educacao/2010/

Links selecionados:

Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação

Rede São Paulo de Formação Docente  Teletandem Brasil: línguas estrangeiras para todos

August 17, 2011 Posted by | Point of view | , , , , | 1 Comment

Pontypool vs Saussure


Pontypool(2008) é um suspense canadense que conta a história de uma invasão zumbi de maneira pouco convencional. Os zumbis, que costumam ser as “estrelas” em outras produções do gênero, pouco aparecem e as pessoas não são infectadas por um vírus ou outro tipo correlato de ameaça biológica. Trata-se de uma infecção pela linguagem – especificamente pela língua inglesa – que deixaria Saussure inquieto.

 

Trailer de cinema

Sinopse

Durante um inverno rigoroso no interior do Canadá, a equipe de uma estação de rádio responsável pela programação ao vivo e pelo noticiário local se dá conta de que a os moradores da pequena cidade estão sendo infectados por uma anomalia e tornados zumbis. Abrigados no interior da estação, os personagens acompanham a tensa sequência de eventos (sem violência gráfica) até descobrirem que o fator contagioso está na linguagem. Algumas palavras de língua inglesa estariam infectadas e tornariam zumbis as pessoas que percebecem-nas semanticamente, ou seja, compreendêssem-nas.

Eis como a infecção linguística supostamente acontece:

“Está nas palavras” – diz Dr. Mendez, personagem de Hrant Alianak. “Não em todas as palavras, nem em todos os idiomas, mas em algumas. Algumas palavras estão infectadas e isso se espalha quando são faladas. Pode ser propagado através da percepção” – acrescenta. Grant Mazzy, o locutor interpretado por Stephen McHattie, pondera sobre a possibilidade de a transmissão da rádio disseminar a contaminação. “Não!” – garante Dr. Mendez, que conclui: “Se o ‘bug’ ingressa, não é em contato com o tímpano. É quando entendemos uma palavra que o vírus se hospeda”.

Tendo feito essas descobertas, os personagens passam a se prevenir da contaminação – e de fato conseguem – evitando conversar oralmente entre si e escrevendo suas mensagens em pedaços de papel para se comunicar. Em outros momentos, os personagens mudam de código e conversam em francês, evitando assim, as palavras infectadas da língua inglesa. Eis aí a falha linguística de Pontypool, pelo menos do ponto de vista do estruturalismo saussuriano.

Falha teórica

Se o contágio não ocorre pelo impacto da matéria sonora no tímpano, ou seja, pela captação da imagem acústica da palavra, o siginificante não é contagioso, e sim o significado – que é a percepção semântica. Dessa maneira, não se poderia evitar a infecção mudando a matéria do significante (do sonoro para o visual) ao trocar a língua falada pela língua escrita, uma vez que o significante veicula o significado independentemente de sua natureza material. A mudança de idioma também não seria uma boa solução. A mudança de código representa mera mudança no sistema de significantes. Os significados – que são o elemento contagioso – permanecem os mesmos.

Assim, se alguém em Pontypool se livra do risco de se tornar zumbi, não é graças a uma teoria linguística apurada, mas por pura sorte!

Ver esse filme foi inusitado por dois motivos. O primeiro deles é que, apesar de nunca ter gostado dos filmes de zumbis, este me divertiu bastante, talvez porque os zumbis propriamente ditos mal apareçam e as personagens centrais são muito bem contruídas e carismáticas. O segundo é que, em filmes parecidos com este, é muito comum notar situações “cientificamente impossíveis”. “Isaac Newton não aprovaria esses efeitos especiais” – é o que um amigo costumava dizer. Pontypool traz, para mim, a inédita situação do “linguisticamente impossível” em um filme, e de que talvez Saussure não aprovasse o cinema canadense!

June 10, 2011 Posted by | Cinema, Media, Point of view | , , , | 1 Comment

O novo professor e o cenário tecnológico


Em debate sobre tecnologias e letramento digital, professores do ensino público do estado de São Paulo definem uma agenda preliminar de questões relacionadas à educação no cenário digital e reconhecem o surgimento de um novo perfil de educadores.

As TICs – ou Tecnologias de Informação e Comunicação – e o letramento digital são conceitos relativamente novos que tem mobilizado professores a compreendê-los teoricamente, explorá-los e a identificar os impactos práticos sobre a cenário da educação atual.

Conceito teórico

Ana Paula Magri, professora na EE. Prof.Armando Gonçalves em Itanhém, SP, cita Soares (2002) e define o letramento digital como “um conjunto de habilidades que capacita o usuário da língua a responder adequadamente às demandas sociais que envolvem a utilização dos recursos tecnológicos e da escrita no meio digital” e assume: não se trata de domínio técnico dos recursos digitais pura e simplesmente. Mais que isso, Ana se apóia em Carmo (2003) e defende que o letramento digital inclui: “habilidades para construir sentidos a partir de textos multimodais, isto é, textos que mesclam palavras, elementos pictóricos e sonoros numa mesma superfície. Inclui também a capacidade para localizar, filtrar e avaliar criticamente informações disponibilizadas eletronicamente“.

Algumas justificativas

A oferta de letramento digital nas escolas se justifica principalmente pela evidência de que as pessoas estão se socializando, buscando conhecimento, se divertindo, comercializando, bem como realizando digitalmente, ou seja, mediadas pela tecnologia, outras atividades de relevância social. Evidentemente a educação não pode ignorar essas novas condições de uso da língua. Segundo a professora Patrícia Aparecida de Carvalho, da E.E. Bairro Cubatão em Itu, SP, o letramento digital pode “favorecer o amadurecimento dos alunos, a interação social, a capacidade de comunicar-se (sic), de colaborar, de mudança de atitudes, raciocínio e o prazer de aprender”. A professora Célia Regina dos Santos Barsoti de Rio Claro, SP, sugere, ainda, uma descrição de Kenski (2008) sobre a experiência do letramento digital na escola: “A incorporação da TIC na escola favorece a criação de redes individuais de significados e a constituição de uma comunidade de aprendizagem que cria sua própria rede virtual de interação e colaboração. Assim, é caracterizada por avanços e recuos em um movimento não-linear de interconexões em um espaço complexo, que conduz ao desenvolvimento educacional, social e cultural”.

O professor

Nesse cenário, o professor de linguas mantém o seu papel mas seu perfil deve sofrer alterações. Paulo Alexandre Paliari, professor de inglês em Mogi Guaçu, SP, sugere o perfil do professor tal como concebido por infográfico da versão online da revista Veja:

Ainda que uma parte considerável dos 35 professores reunidos neste debate declarassem dificuldades na utilização e falta de conhecimento sobre tecnologias, o grupo compartilha a perspectiva de que o professor não apenas deve se preparar tecnicamente como deve ser capaz de selecionar e fazer uso de recursos tecnológicos a favor de sua prática de ensino, ainda que esse processo de revisão e transformação docente seja difícil para educadores formados na tradição da educação autoritária e centralizadora, comenta o professor Paulo. Silvana Pacola, professora na E.E.Prof.Valério Strang em Mogi Mirim, SP, corrobora com essa afirmação. Segundo ela, a noção de letramento está sujeita a mudanças constantes, o que demanda o esforço de atualização igualmente constante dos professores. “Tem que estar ‘ligado’, falei???” – conclui, com bom humor, a  PCOP na Diretoria Regional de Ensino de Piracicaba, Elizabeth do Carmo Médola.

Simetria de relações

A PCOP Elizabeth acredita e reconhece, também, que a  parcela da comunidade escolar que melhor conhece e domina as tecnologias são os alunos, o que lhes confere certa vantagem sobre a própria equipe escolar. “Os estudantes de hoje são considerados ‘nativos digitais’, ou seja, nasceram na era digital e estão crescendo e evoluindo com ela. Nós, professores, somos ‘imigrantes digitais’, para nós tudo é novo” – completa a professora coordenadora. Contudo, essa suposta assimetria não parece comprometer a relação entre educadores e aprendizes, de acordo com a perspectivas do grupo debatedor. Segundo Shirley Benedita de Paula, professora de São Paulo, capital do estado, a equipe escolar pode e deve se apoiar nos conhecimentos e habilidades dos alunos em atividades voltadas para o letramento digital. Isso, além de producente, pode aproximar professores e alunos, explica Shirley. Essas asserções corroboram com o infográfico da revista veja sobre o novo professor que, na relação com os alunos, “admite não ter todas as respostas”, e “é parceiro do aluno e aprende com eles”.

 Acessibilidade

A dificuldade de acesso a equipamento adequado é apontada como o maior problema estrutural para a oferta de letramento digital na escola. Segundo os docentes que procuram fazer uso de computadores em suas aulas, a inadequação do equipamento está associada aos seguintes fatores:

  1. Ausência de equipamento ou equipamento em quantidade insuficiente;
  2. Ausência de pessoal especificamente responsável pelo equipamento na escola, como monitores ou técnicos, à disposição da comunidade escolar;
  3.  Ausência de manutenção regular;
  4. Falta de conexão com a internet ou conexão ineficiente.

Por outro lado, o programa Acessa Escola, voltado para a inclusão digital de comunidades escolares, é responsável por perspectivas mais otimistas, como a da professora Heloisa Helena Brianti, de Itapira, SP. “Meus alunos estão adorando as aulas do Acessa Escola uma vez por semana e também o data show” – conta. As professoras Heidiane Almeida Ramos da Cunha, da  E.E. Vereador José Rodrigues Freitas em Cajati, SP, e Rosa Jandira Cavenaghi da Rocha, da EE José Aparecido Munhoz em Mogi Mirim, SP, também se sentem privilegiadas pela disposição de uma unidade do programa do FDE. “Na minha escola também foi aberta a sala de Acessa Escola e a mesma está funcionando todos os dias, nos três períodos, e pude perceber que os alunos estão adorando” – comenta Rosa.

Esta é uma pequena agenda de informações preliminares geradas a partir do esforço colaborativo de 35 professores de inglês, que são também candidatos a especialistas pelo programa de pós-graduação da Redefor – Unesp, em uma discussão online. A experiência do letramento digital na escola tem uma agenda de questões a responder ainda maior e deve exigir algum tempo e trabalho, assumem os educadores. “O processo de mudanças na educação não é uniforme e muito menos fácil” – reconhece Paulo Paliari – mas o claro esforço intelectual dos educadores em cumprir essa agenda, mesmo que ainda pouco conhecida, revela profissionalismo e responsabilidade.

Leia mais: Tecnologias e a educação brasileira

June 7, 2011 Posted by | Point of view | , , , , | 6 Comments

Livro “Por Uma Vida Melhor” é obra educativa e responsável


Livro usado pelo MEC ensina aluno a falar errado é o título de uma coluna do portal iG sobre a distribuição do livro “Por Uma Vida Melhor”, da Editora Global, a 4236 escolas brasileiras. Essa não é a única crítica mal fundamentada ao livro. Quem de fato teve contato com a obra, mesmo sem ter formação específica em letras e linguística, pode reconhecer o cuidado dos autores Heloisa Ramos, Cláudio Bazzoni e Mirella Laruccia Cleto com a distinção entre a norma culta e as variantes populares.

Na reprodução a seguir, o texto de “Por Uma Vida Melhor”  trata sobre concordância nominal segundo a gramática normativa e, em seguida, descreve os usos populares da informação de plural, que tende a ser marcada menos vezes, especialmente na modalidade oral:

De forma bastante responsável, a autora distingue a norma culta da variante popular e adverte o leitor de que um falante competente deve saber escolher em qual situação de fala usar as diferentes gramáticas de que dispõe – a normativa e a popular – o que não equivale a “ensinar a falar errado”. Muito pelo contrário, ao invés da prática tradicional de classificar formas enunciativas como certas e erradas – o que, ao meu ver, é demasiado simplório – o livro defende que o falante conheça a norma culta e a variante popular, saiba discernir entre elas e saiba, sobretudo, julgar em que ocasião utilizá-las.

A seguir, entrevista com o Prof. Ataliba Castilho, linguísta e gramático aposentado pela Unicamp, na Univesp TV:

May 26, 2011 Posted by | Point of view | , , , , | 3 Comments

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