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English Language Teaching in Brazilian settings

Que inglês é esse? Que animais são esses? Que montanha é essa?


Quem escolhe se apoiar exclusivamente nas legendas dos filmes para entender o que se passa na tela não raro perde trocadilhos, piadas e particularidades culturais. Quem possui boa compreensão oral, pode se apoiar no áudio, mas não é o caso quando se trata de cinema mudo.

No cinema mudo, telas escuras com o diálogo entre os personagens transcrito em letras brancas se intercalam com as cenas de ação, como na amostra a seguir, capturada do filme “O Mundo Perdido” (The Lost World), de 1925:

Fala de Zambo em "O Mundo Perdido": escolhas lexicais pouco convencionais bem como desvios ortográficos e morfossintáticos para marcar sotaque negro.

Jules Cowes com a pele pintada para interpretar Zambo, em "O Mundo Perdido", obra do cinema mudo de 1925.

Uma das coisas que se pode perder em “O Mundo Perdido” são as falas de Zambo, o personagem negro do filme, transcritas com marcas consideradas típicas da variedade de inglês negro – o black English. A transcrição, como você pode ver, apresenta desvios de ortografia e sintaxe, além de escolhas lexicais pouco convencionais, para representar o sotaque característico da população afro-americana. Evidentemente, as legendas em português não dão conta de expressar as mesmas especificidades que são intraduzíveis e não dispõem de marcas correspondentes na nossa língua. O roteiro do filme também investe na ausência de verbos auxiliares modais e na falta de tempos verbais nas falas do personagem negro.

A outra surpresa é que Zambo não é interpretado por um negro, mas por Jules Cowes, ator branco que pintava a pele para as gravações. Tal prática era comum nas produções cinematográficas dos EUA na época, compostas exclusivamente de atores brancos. O Cantor de Jazz (“The Jazz Singer”), clássico de 1927, além de ser o primeiro filme falado, tem seu protagonista, um personagem negro, também interpretado por um branco – o ator Al Jolson. Não se trata, certamente, da inexistência de negros com talento para a dramaturgia na época, mas de problemas e equívocos sociais graves que restringiam o acesso dessa população à indústria cinematográfica.

“O Mundo Perdido” é baseado na obra literária de 1912 de Sir Arthur Conan Doyle, o mesmo criador do personagem Sherlock Holmes, e conta a história de uma expedição a uma região inóspita da floresta amazônica que, isolada pela vegetação densa e pelos penhascos, ainda guardava dinossauros e outros remanescentes da vida pré-histórica.

Utilizando animação de bonecos em stop motion, o filme foi um marco dos efeitos visuais que, em 1925, impressionou tanto as plateias quanto o lançamento de Parque dos Dinossauros (Jurassic Park), em 1993, já com efeitos digitais. O lançamento da sequência de Parque dos Dinossauros com o título  “O Mundo Perdido: Jurassic Park” (The Lost World: Jurassic Park) de 1997, é uma das homenagens ao filme de 1925.

Os responsáveis pela mais recente homenagem a “O Mundo Perdido”, contudo, são os estúdios da Disney / Pixar, com o longa “Up“, de 2009. Em Up, os personagens viajam em uma casa suspensa por balões de gás hélio até um monte na Amazônia venezuelana, cuja paisagem é claramente inspirada nos cenários de “O Mundo Perdido”.

Em "O Mundo Perdido" (1925), uma expedição a um altiplano na floresta amazônica descobre formas de vida pré-históricas. O filme explora insistentemente a fotografia da falha na rocha que dificulta o acesso ao topo do penhasco.

Em "Up" (2009), os personagens viajam para a mesma paisagem que serviu de cenário para "O Mundo Perdido".

Ainda que casas suspensas por balões e dinossauros vivos residam meramente no imaginário dos criadores, o cenário desses filmes não é ficção. A paisagem inóspita e de acesso extremamente difícil que estimula a imaginação das pessoas há décadas é o Monte Roraima, elevado com paredões verticais de 400 metros de altura localizado na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guyana, em plena Amazônia. Descoberto em 1596 por um explorador britânico, o monte alimentou a imaginação das pessoas por 3 séculos antes de ser escalado pela primeira vez, em 1884.

Monte Roraima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guyana: o mistério criado ao redor da montanha inspirou histórias que acabaram nas telas do cinema

Além da trilogia Parque dos Dinossauros e do longa de animação Up, O Mundo Perdido também é conhecido por ter inspirado a história de King Kong.

Agradecimentos: Valdair Grotto

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[Update – 17/09/2011] O passeio de helicóptero registrado no vídeo a seguir revela alguns detalhes do Monte Roraima:

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September 15, 2011 Posted by | Cinema | , , , , , | Leave a comment

Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2


A) Plot summary

The end begins as Harry, Ron, and Hermione go back to Hogwarts to find and destroy Voldemort’s final horcruxes, but when Voldemort finds out about their mission, the biggest battle begins and life as they know it will never be the same again.

B) Plot summary

Harry Potter, Hermione Granger, and Ron Weasley continue their search for Lord Voldemort’s Horcruxes, which ultimately leads up to an epic battle at Hogwarts.

C) Plot synopsis

With three of Voldemort’s six horcruxes destroyed, Harry, Ron and Hermione must find the rest. One of them is a fabled Cup that once belonged to Helga Hufflepuff, one of the founders of Hogwarts, but the other two remain mysteries. They deduce both Gringotts and Hogwarts are likely hiding places, but will the mystical yet real Deathly Hallows prove to be a crucial part in the unfolding of events? Lord Voldemort has gained possession of the all-powerful Elder Wand, strengthening him further, but who really is its true master? Did the fateful events of 16 years ago have even more impact than Harry thought? All of these questions must be answered for ultimate Battle of Hogwarts, where the final showdown between Harry and the Dark Lord will determine the fate of both the wizarding and muggle worlds for the rest of eternity.

D) Movie trailer

E) Review

(No review available to this date)

F) Online activities

June 13, 2011 Posted by | Cinema, For students, Media | , , , , , | 1 Comment

Pontypool vs Saussure


Pontypool(2008) é um suspense canadense que conta a história de uma invasão zumbi de maneira pouco convencional. Os zumbis, que costumam ser as “estrelas” em outras produções do gênero, pouco aparecem e as pessoas não são infectadas por um vírus ou outro tipo correlato de ameaça biológica. Trata-se de uma infecção pela linguagem – especificamente pela língua inglesa – que deixaria Saussure inquieto.

 

Trailer de cinema

Sinopse

Durante um inverno rigoroso no interior do Canadá, a equipe de uma estação de rádio responsável pela programação ao vivo e pelo noticiário local se dá conta de que a os moradores da pequena cidade estão sendo infectados por uma anomalia e tornados zumbis. Abrigados no interior da estação, os personagens acompanham a tensa sequência de eventos (sem violência gráfica) até descobrirem que o fator contagioso está na linguagem. Algumas palavras de língua inglesa estariam infectadas e tornariam zumbis as pessoas que percebecem-nas semanticamente, ou seja, compreendêssem-nas.

Eis como a infecção linguística supostamente acontece:

“Está nas palavras” – diz Dr. Mendez, personagem de Hrant Alianak. “Não em todas as palavras, nem em todos os idiomas, mas em algumas. Algumas palavras estão infectadas e isso se espalha quando são faladas. Pode ser propagado através da percepção” – acrescenta. Grant Mazzy, o locutor interpretado por Stephen McHattie, pondera sobre a possibilidade de a transmissão da rádio disseminar a contaminação. “Não!” – garante Dr. Mendez, que conclui: “Se o ‘bug’ ingressa, não é em contato com o tímpano. É quando entendemos uma palavra que o vírus se hospeda”.

Tendo feito essas descobertas, os personagens passam a se prevenir da contaminação – e de fato conseguem – evitando conversar oralmente entre si e escrevendo suas mensagens em pedaços de papel para se comunicar. Em outros momentos, os personagens mudam de código e conversam em francês, evitando assim, as palavras infectadas da língua inglesa. Eis aí a falha linguística de Pontypool, pelo menos do ponto de vista do estruturalismo saussuriano.

Falha teórica

Se o contágio não ocorre pelo impacto da matéria sonora no tímpano, ou seja, pela captação da imagem acústica da palavra, o siginificante não é contagioso, e sim o significado – que é a percepção semântica. Dessa maneira, não se poderia evitar a infecção mudando a matéria do significante (do sonoro para o visual) ao trocar a língua falada pela língua escrita, uma vez que o significante veicula o significado independentemente de sua natureza material. A mudança de idioma também não seria uma boa solução. A mudança de código representa mera mudança no sistema de significantes. Os significados – que são o elemento contagioso – permanecem os mesmos.

Assim, se alguém em Pontypool se livra do risco de se tornar zumbi, não é graças a uma teoria linguística apurada, mas por pura sorte!

Ver esse filme foi inusitado por dois motivos. O primeiro deles é que, apesar de nunca ter gostado dos filmes de zumbis, este me divertiu bastante, talvez porque os zumbis propriamente ditos mal apareçam e as personagens centrais são muito bem contruídas e carismáticas. O segundo é que, em filmes parecidos com este, é muito comum notar situações “cientificamente impossíveis”. “Isaac Newton não aprovaria esses efeitos especiais” – é o que um amigo costumava dizer. Pontypool traz, para mim, a inédita situação do “linguisticamente impossível” em um filme, e de que talvez Saussure não aprovasse o cinema canadense!

June 10, 2011 Posted by | Cinema, Media, Point of view | , , , | 1 Comment

   

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