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English Language Teaching in Brazilian settings

4 razões a favor do ensino laico


1- TODAS AS PERSPECTIVAS RELIGIOSAS SÃO RESPEITADAS

O laicismo não implica em ignorar a religião. Pelo contrário, implica em que todas as perspectivas religiosas (crenças, como o catolicismo e o budismo; e não crenças, como o ateísmo) sejam respeitadas.

2- REDUZEM-SE AS POSSIBILIDADES DE CONSTRANGIMENTO ENTRE ALUNOS

Algumas doutrinas religiosas acabam servindo como parâmetro de diferenciação entre as pessoas. Discursos como “pessoas que acreditam em X são mais dignas do que aquelas que acreditam em Y” são comuns dentro das igrejas e dos círculos religiosos, mas, dentro da comunidade escolar, representam um estímulo perigoso ao constrangimento e à segregação entre membros (alunos, por exemplo) e não devem penetrar o espaço da sala de aula. O laicismo pressupõe impedir que esse tipo de variável comprometa a aprendizagem.

3- ASSEGURAM-SE AS CONDIÇÕES DE DEBATE E QUESTIONAMENTO

As certezas e verdades religiosas tendem a obstruir dois processos fundamentais na aprendizagem: o debate coletivo e o questionamento filosófico. Pressupostos como “todas as verdades estão em um livro sagrado e são inquestionáveis sob pena de condenação” têm força restritora sobre o acesso ao conhecimento. O aluno tem o direito a receber contribuições de pontos de vista múltiplas, debatê-las, e ser encorajado a buscar verdades baseadas em coerência, não em doutrinas ou cânones. Têm direito, portanto, a um ambiente laico.

4- FAVORECE A IGUALDADE

Um contexto em que nenhuma perspectiva religiosa (incluindo o ateísmo) recebe destaque em detrimento das outras é um contexto em que a igualdade é evidentemente favorecida.

April 5, 2012 Posted by | Point of view | , , | Leave a comment

Ildevânia comenta #2: religião e a escola


Comentários como "Todas essas guerras acontecem por que essas pessoas não têm Jesus no coração" são um pecado mortal - com o perdão da expressão - para um professor.

Hoje eu estava lendo este blog, e descobri uma enquete sobre a manifestação religiosa pelo educador. A enquete pergunta se a educação deve ou não ser laica e fornece a opção de resposta:

“Eu acredito que o professor não precisa, necessariamente, tratar sobre temas religiosos em sala de aula, mas ele goza do direito de expressar sua religião livremente.”

Como assim? É opcional? Tanto faz? – Quem responderia um absurdo desses entende alguma coisa sobre educação? Se for professor, será que sabe o que faz?

Basta pensar um pouco (não precisa muito!) sobre suas responsabilidades como educador para descobrir as inconveniências de manifestar parcialidades religiosas no seu trabalho.

Primeiro, a religiões são formações que se opõem entre si em julgamentos sobre o que é certo e errado e, portanto, apresentam diferenças de valores morais, o que torna o território religioso propenso a acentuar diferenças e delimitar grupos. Na escola, que é um contexto predominantemente heterogêneo (e é saudável que assim seja), a parcialidade religiosa de um professor não poderia ser mais prejudicial à colaboratividade entre os aprendizes!

O educador que traz questões religiosas à tona deliberadamente, corre o risco de fazer emergir parâmetros de diferenciação entre seus alunos que podem comprometer a aprendizagem e a socialização do grupo.

Além do caso notório da professora que expulsou um de seus alunos da sala, sob acusações como “filho do capeta”, após ter descoberto colares de contas (típicas de religiões de matriz africana) que usava sob o uniforme, conheço casos mais sutis, mas que têm impacto igualmente destrutivo sobre os alunos.

Há a história, por exemplo, do professor de Língua Portuguesa que decidiu não trabalhar com livros que exploram culturas afro-brasileiras em suas aulas de literatura, especialmente motivado por frequentar uma igreja evangélica.  Este aparentemente negligencia a sua função de educador e compromete o currículo escolar sem cerimônia ou dor na consciência.

Mais sutil e perigosa, ainda, é a abordagem do professor que cita seus valores religiosos para avaliar fatos históricos. Comentários como “Todas essas guerras acontecem por que essas pessoas não têm Jesus no coração” são um pecado mortal – com o perdão da expressão – para um professor. O aluno judeu, islâmico, budista, ateu, ou de qualquer outra origem não cristã (e que, portanto, não reconhece Jesus como divindade) pode ser promovido a culpado e associado a perigo ou ameaça (ou se sentir assim).

[Atualização em 03/04/2012] Mais recentemente, ainda, a prática de uma professora que conduzia sessões de oração em suas aulas em Miraí, MG, acabou se tornando um constrangimento para aluno ateu, que passou a ser depreciado pelos colegas por recusar participar das sessões.

Ignorar a hipótese de constrangimento e de conflito e correr tal risco revela a postura irresponsável de quem não está propriamente interessado em proporcionar situações de aprendizagem saudáveis. Não faça isso, OK, professor?

“Mas a manifestação de crenças religiosas é um direito constitucional” – retrucará aquela pessoa que não se deu ao trabalho de entender a seriedade profissional a que convido aqui. E eu responderei: escolha uma outra profissão qualquer.

Profa. Ildevânia Siqueira

January 21, 2012 Posted by | Point of view | , , , | Leave a comment

Enquete #3


A educação deve ser laica? A prática do professor deve ser isenta de apreciações sobre valores religiosos? Que força a religião pode exercer na escola?

Perguntas como estas preocupam educadores, pais e alunos, que se questionam sobre a relação entre a escola, a religião e o desenvolvimento de cidadania. Dê a sua opinião! Você pode escolher até 2 opções.

August 25, 2011 Posted by | Poll | , , , , | 1 Comment

   

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