Teacher on Demand

English Language Teaching in Brazilian settings

Bullying, a escola e os alunos homossexuais


Professor, você tem alunos homossexuais? Se sim, como se posiciona com relação às práticas de bullying dirigidas especificamente a eles?

Os homossexuais compõem um  grupo minoritário que frequentemente sofre intimidação, humilhação, calúnias e agressões físicas, incluindo espancamento e morte. Trata-se de um fato confirmado não apenas nas escolas, mas também do lado de fora.

O pressuposto básico para a prática do bullying é perceber o diferente como inferior e acreditar na homogeneização das pessoas. Dentro da escola, os alunos evidentemente reconhecem diferenças entre si, o que é um processo mais que desejável enquanto constroem suas identidades e suas representações sobre o outro. O perigo está em reconhecer na diferença um problema ou um prejuízo para a comunidade. Adolf Hitler é o maior cliché dessa cultura, que levou a prática de perseguição às mais absurdas e inconcebíveis consequências.

Ao lado dos gordinhos pouco afeitos a esportes, dos meninos franzinos que aparentam fragilidade, e das meninas de traços nordestinos e comportamento introspectivo, entre muitos outros, os alunos reconhecidos como gays são comumente sujeitados a rotinas muito pouco confortáveis de agressões morais e físicas na escola, e isso, sem nenhuma sombra de dúvida, tem um impacto indesejável sobre a qualidade da educação que a escola oferece a essas minorias.

A escola concebida como inclusiva talvez devesse entender os grupos minoritários e avaliar a que tipo de cultura fornece suporte. Ela deve se perguntar “Nós somos uma instituição homogeneizante, que acredita na inferioridade de um grupo em detrimento do outro e na necessidade de padronização, ou dispomos de uma filosofia heterogeneizante, que valoriza a diferença horizontalmente?”

Outra pergunta fundamental que a escola deve se fazer é “Nós conhecemos o ponto e vista de nossas minorias?” Se a resposta for “não”, vale a pena investir em um esforço reflexivo para descobrir porque essa informação não foi considerada importante até agora.

O documentário em curta metragem nacional Não Gosto dos Meninos (2011), de André Matarazzo e Gustavo Ferri, é uma tocante obra que reúne depoimentos de várias pessoas gays e que pode ajudar a escola a entender a perspectiva e os dilemas enfrentados pelos homossexuais na escola, na família e na sociedade. A seguir, o documentário completo (18 min) via YouTube:

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November 1, 2011 Posted by | Point of view, Teaching resources | , , , , | 2 Comments

Tecnologias e a educação brasileira


Você sabia que as escolas brasileiras dispõem, em média, de 23 computadores instalados cada uma? Você sabia que desses 23 computadores, apenas 18 funcionam?

Essas são algumas das informações divulgadas pelo Cetic – Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação – na pesquisa TIC Educação 2010, que investigou não apenas a infraestrutura material das escolas, mas também a maneira como a equipe escolar se relaciona com as tecnologias digitais.

Infraestrutura material:

Os números* do Cetic indicam que 81% das escolas possuem um laboratório de informática com, em média, 18 aparelhos funcionando. 52% delas dispõem de um monitor responsável. 90% dos professores possuem equipamento de informática em casa, prevalecendo os computadores de mesa (86%) sobre os portáteis (48%), mas apenas 81% declara dispor de conexão com a internet em seus domicílios.

Quando convidados a falar sobre esses dados, professores apontam o número insuficiente de computadores na escola como principal obstáculo para o uso das TIC, seguido pelo número insuficiente de aparelhos conectados à internet. Conexão de baixa velocidade ou ineficiente, ausência de suporte técnico, equipamentos obsoletos e a falta de tempo e apoio pedagógico para a utilização das tecnologias são problemas também apontados pelos educadores.

A pesquisa também revela que as TIC têm pouco espaço na sala de aula. Apenas 4% das escolas dispõem de tecnologias no espaço da sala de aula propriamente dito, por conta da centralização de equipamento em salas especificamente voltadas para informática (ou outros espaços, como sala de professores, salas ocupadas por gestores e bibliotecas).

O computador ainda não penetrou o espaço da sala de aula. A sala de informática é o espaço específico utilizado para aprender com o apoio da tecnologia.

Cultura escolar:

Outros fatores que podem influenciar sobre as condições da oferta de letramento digital na escola estão relacionados às crenças e perspectivas motivadas culturalmente ou pela formação profissional da equipe escolar. Entre os 1541 professores entrevistados, por exemplo, 64% acreditam que o aluno tem mais conhecimento sobre tecnologia do que o docente. Parcelas consideráveis – de mais de 30% – não confiam no conteúdo da internet e acreditam que a rede pode trazer algum tipo de malefício sobre o usuário, como distorção da percepção de realidade e sobrecarga de informação. Outros docentes declaram, ainda, preferir métodos tradicionais de ensino ou não ter conhecimentos técnicos e pedagógicos para a utilização das TIC em favor de sua prática.

Para professores vinculados à Redefor, o impacto social das tecnologias justifica a necessidade de a escola oferecer a experiência do letramento digital a seus alunos.

O levantamento feito pelo Cetic dialoga bastante com a discussão levantada pelo artigo “O Novo professor e o Cenário Tecnológico“, publicado neste blog. Os docentes envolvidos no curso da Redefor apontam para os mesmos problemas de natureza estrutural, mas apresentam pontos de vista mais otimistas sobre a utilização das TIC na escola.

Em fóruns especificamente conduzidos para discutir o assunto, professores de inglês apontam as demandas digitais de letramento como a principal justificativa para a incorporação das tecnologias à estrutura física e cultural das instituições de ensino fundamental e médio. Na perspectiva desse grupo docente, as novas condições de uso da língua causada pela popularização das tecnologias de informação e comunicação demandam habilidades linguísticas sobre as quais a escola deve estar atenta e não ignorar em seu currículo.

Os resultados da pesquisa TIC Educação 2010 podem ser consultados integralmente em http://www.cetic.br/educacao/2010/

Links selecionados:

Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação

Rede São Paulo de Formação Docente  Teletandem Brasil: línguas estrangeiras para todos

August 17, 2011 Posted by | Point of view | , , , , | 1 Comment

O novo professor e o cenário tecnológico


Em debate sobre tecnologias e letramento digital, professores do ensino público do estado de São Paulo definem uma agenda preliminar de questões relacionadas à educação no cenário digital e reconhecem o surgimento de um novo perfil de educadores.

As TICs – ou Tecnologias de Informação e Comunicação – e o letramento digital são conceitos relativamente novos que tem mobilizado professores a compreendê-los teoricamente, explorá-los e a identificar os impactos práticos sobre a cenário da educação atual.

Conceito teórico

Ana Paula Magri, professora na EE. Prof.Armando Gonçalves em Itanhém, SP, cita Soares (2002) e define o letramento digital como “um conjunto de habilidades que capacita o usuário da língua a responder adequadamente às demandas sociais que envolvem a utilização dos recursos tecnológicos e da escrita no meio digital” e assume: não se trata de domínio técnico dos recursos digitais pura e simplesmente. Mais que isso, Ana se apóia em Carmo (2003) e defende que o letramento digital inclui: “habilidades para construir sentidos a partir de textos multimodais, isto é, textos que mesclam palavras, elementos pictóricos e sonoros numa mesma superfície. Inclui também a capacidade para localizar, filtrar e avaliar criticamente informações disponibilizadas eletronicamente“.

Algumas justificativas

A oferta de letramento digital nas escolas se justifica principalmente pela evidência de que as pessoas estão se socializando, buscando conhecimento, se divertindo, comercializando, bem como realizando digitalmente, ou seja, mediadas pela tecnologia, outras atividades de relevância social. Evidentemente a educação não pode ignorar essas novas condições de uso da língua. Segundo a professora Patrícia Aparecida de Carvalho, da E.E. Bairro Cubatão em Itu, SP, o letramento digital pode “favorecer o amadurecimento dos alunos, a interação social, a capacidade de comunicar-se (sic), de colaborar, de mudança de atitudes, raciocínio e o prazer de aprender”. A professora Célia Regina dos Santos Barsoti de Rio Claro, SP, sugere, ainda, uma descrição de Kenski (2008) sobre a experiência do letramento digital na escola: “A incorporação da TIC na escola favorece a criação de redes individuais de significados e a constituição de uma comunidade de aprendizagem que cria sua própria rede virtual de interação e colaboração. Assim, é caracterizada por avanços e recuos em um movimento não-linear de interconexões em um espaço complexo, que conduz ao desenvolvimento educacional, social e cultural”.

O professor

Nesse cenário, o professor de linguas mantém o seu papel mas seu perfil deve sofrer alterações. Paulo Alexandre Paliari, professor de inglês em Mogi Guaçu, SP, sugere o perfil do professor tal como concebido por infográfico da versão online da revista Veja:

Ainda que uma parte considerável dos 35 professores reunidos neste debate declarassem dificuldades na utilização e falta de conhecimento sobre tecnologias, o grupo compartilha a perspectiva de que o professor não apenas deve se preparar tecnicamente como deve ser capaz de selecionar e fazer uso de recursos tecnológicos a favor de sua prática de ensino, ainda que esse processo de revisão e transformação docente seja difícil para educadores formados na tradição da educação autoritária e centralizadora, comenta o professor Paulo. Silvana Pacola, professora na E.E.Prof.Valério Strang em Mogi Mirim, SP, corrobora com essa afirmação. Segundo ela, a noção de letramento está sujeita a mudanças constantes, o que demanda o esforço de atualização igualmente constante dos professores. “Tem que estar ‘ligado’, falei???” – conclui, com bom humor, a  PCOP na Diretoria Regional de Ensino de Piracicaba, Elizabeth do Carmo Médola.

Simetria de relações

A PCOP Elizabeth acredita e reconhece, também, que a  parcela da comunidade escolar que melhor conhece e domina as tecnologias são os alunos, o que lhes confere certa vantagem sobre a própria equipe escolar. “Os estudantes de hoje são considerados ‘nativos digitais’, ou seja, nasceram na era digital e estão crescendo e evoluindo com ela. Nós, professores, somos ‘imigrantes digitais’, para nós tudo é novo” – completa a professora coordenadora. Contudo, essa suposta assimetria não parece comprometer a relação entre educadores e aprendizes, de acordo com a perspectivas do grupo debatedor. Segundo Shirley Benedita de Paula, professora de São Paulo, capital do estado, a equipe escolar pode e deve se apoiar nos conhecimentos e habilidades dos alunos em atividades voltadas para o letramento digital. Isso, além de producente, pode aproximar professores e alunos, explica Shirley. Essas asserções corroboram com o infográfico da revista veja sobre o novo professor que, na relação com os alunos, “admite não ter todas as respostas”, e “é parceiro do aluno e aprende com eles”.

 Acessibilidade

A dificuldade de acesso a equipamento adequado é apontada como o maior problema estrutural para a oferta de letramento digital na escola. Segundo os docentes que procuram fazer uso de computadores em suas aulas, a inadequação do equipamento está associada aos seguintes fatores:

  1. Ausência de equipamento ou equipamento em quantidade insuficiente;
  2. Ausência de pessoal especificamente responsável pelo equipamento na escola, como monitores ou técnicos, à disposição da comunidade escolar;
  3.  Ausência de manutenção regular;
  4. Falta de conexão com a internet ou conexão ineficiente.

Por outro lado, o programa Acessa Escola, voltado para a inclusão digital de comunidades escolares, é responsável por perspectivas mais otimistas, como a da professora Heloisa Helena Brianti, de Itapira, SP. “Meus alunos estão adorando as aulas do Acessa Escola uma vez por semana e também o data show” – conta. As professoras Heidiane Almeida Ramos da Cunha, da  E.E. Vereador José Rodrigues Freitas em Cajati, SP, e Rosa Jandira Cavenaghi da Rocha, da EE José Aparecido Munhoz em Mogi Mirim, SP, também se sentem privilegiadas pela disposição de uma unidade do programa do FDE. “Na minha escola também foi aberta a sala de Acessa Escola e a mesma está funcionando todos os dias, nos três períodos, e pude perceber que os alunos estão adorando” – comenta Rosa.

Esta é uma pequena agenda de informações preliminares geradas a partir do esforço colaborativo de 35 professores de inglês, que são também candidatos a especialistas pelo programa de pós-graduação da Redefor – Unesp, em uma discussão online. A experiência do letramento digital na escola tem uma agenda de questões a responder ainda maior e deve exigir algum tempo e trabalho, assumem os educadores. “O processo de mudanças na educação não é uniforme e muito menos fácil” – reconhece Paulo Paliari – mas o claro esforço intelectual dos educadores em cumprir essa agenda, mesmo que ainda pouco conhecida, revela profissionalismo e responsabilidade.

Leia mais: Tecnologias e a educação brasileira

June 7, 2011 Posted by | Point of view | , , , , | 6 Comments

   

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