Teacher on Demand

English Language Teaching in Brazilian settings

Boys in rags are not welcome


A while ago I used to play a farm simulation game for Android-based devices named Hay Day [https://play.google.com/store/apps/details?id=com.supercell.hayday]. Categorized as a family game (that should sound like harmless) on Google Play, the player is supposed to be a farmer in charge of producing vegetables, dairy, whool and other products as well as marketing them. A neighbour or so might occasionally walk up to your front door and ask for some of your production in exchange for virtual money.

Well-dressed are welcome

Two well-dressed ladies wait inside the “farmer’s property” to buy eggs and some milk.

No big deal, right?

That’s right, until you realize there is a very particuar character who never actually enters the farm. Can you spot it in the following screen capture?

Boy in rags never enters the farm

Boy in rags never enters the farm

There he is by the dirty road, standing until the farmer needs his little hand. His function, as a game character, is to fetch products that are missing in the farm, for the convenience of the farmer. If the farmer needs something, (s)he just asks him and the boy will fetch it. When he’s done with the job, he might eventually feel tired and relax for the next hours… laying on the grass by the dirty road across from the farm entrance.

You may sleep there, poor little boy, as long as you don't cross the farm entrance!

You may sleep there, poor little boy, as long as you don’t cross the farm entrance!

The character is actually a slavish little boy wearing rags who is not welcome inside the property – at least in the game designers’ minds – and never shares the same space the other characters (who look much more comfortable in their clothes) take in the farm.

Don't you feel there's something wrong here, in human terms?

Sleepy boy in rags

Don’t you feel there’s something wrong here, in human terms? Don’t you feel like the game design could be much better setting the layout and deciding where each element belongs to. Moreover, Doesn’t it seem obvious that not noticing the character’s particular condition as we take part in the “family game” speaks volumes about who we are and how much education we still need to develop as a society?

May 14, 2015 Posted by | Point of view | , | Leave a comment

Bullying, a escola e os alunos homossexuais


Professor, você tem alunos homossexuais? Se sim, como se posiciona com relação às práticas de bullying dirigidas especificamente a eles?

Os homossexuais compõem um  grupo minoritário que frequentemente sofre intimidação, humilhação, calúnias e agressões físicas, incluindo espancamento e morte. Trata-se de um fato confirmado não apenas nas escolas, mas também do lado de fora.

O pressuposto básico para a prática do bullying é perceber o diferente como inferior e acreditar na homogeneização das pessoas. Dentro da escola, os alunos evidentemente reconhecem diferenças entre si, o que é um processo mais que desejável enquanto constroem suas identidades e suas representações sobre o outro. O perigo está em reconhecer na diferença um problema ou um prejuízo para a comunidade. Adolf Hitler é o maior cliché dessa cultura, que levou a prática de perseguição às mais absurdas e inconcebíveis consequências.

Ao lado dos gordinhos pouco afeitos a esportes, dos meninos franzinos que aparentam fragilidade, e das meninas de traços nordestinos e comportamento introspectivo, entre muitos outros, os alunos reconhecidos como gays são comumente sujeitados a rotinas muito pouco confortáveis de agressões morais e físicas na escola, e isso, sem nenhuma sombra de dúvida, tem um impacto indesejável sobre a qualidade da educação que a escola oferece a essas minorias.

A escola concebida como inclusiva talvez devesse entender os grupos minoritários e avaliar a que tipo de cultura fornece suporte. Ela deve se perguntar “Nós somos uma instituição homogeneizante, que acredita na inferioridade de um grupo em detrimento do outro e na necessidade de padronização, ou dispomos de uma filosofia heterogeneizante, que valoriza a diferença horizontalmente?”

Outra pergunta fundamental que a escola deve se fazer é “Nós conhecemos o ponto e vista de nossas minorias?” Se a resposta for “não”, vale a pena investir em um esforço reflexivo para descobrir porque essa informação não foi considerada importante até agora.

O documentário em curta metragem nacional Não Gosto dos Meninos (2011), de André Matarazzo e Gustavo Ferri, é uma tocante obra que reúne depoimentos de várias pessoas gays e que pode ajudar a escola a entender a perspectiva e os dilemas enfrentados pelos homossexuais na escola, na família e na sociedade. A seguir, o documentário completo (18 min) via YouTube:

November 1, 2011 Posted by | Point of view, Teaching resources | , , , , | 2 Comments

Que inglês é esse? Que animais são esses? Que montanha é essa?


Quem escolhe se apoiar exclusivamente nas legendas dos filmes para entender o que se passa na tela não raro perde trocadilhos, piadas e particularidades culturais. Quem possui boa compreensão oral, pode se apoiar no áudio, mas não é o caso quando se trata de cinema mudo.

No cinema mudo, telas escuras com o diálogo entre os personagens transcrito em letras brancas se intercalam com as cenas de ação, como na amostra a seguir, capturada do filme “O Mundo Perdido” (The Lost World), de 1925:

Fala de Zambo em "O Mundo Perdido": escolhas lexicais pouco convencionais bem como desvios ortográficos e morfossintáticos para marcar sotaque negro.

Jules Cowes com a pele pintada para interpretar Zambo, em "O Mundo Perdido", obra do cinema mudo de 1925.

Uma das coisas que se pode perder em “O Mundo Perdido” são as falas de Zambo, o personagem negro do filme, transcritas com marcas consideradas típicas da variedade de inglês negro – o black English. A transcrição, como você pode ver, apresenta desvios de ortografia e sintaxe, além de escolhas lexicais pouco convencionais, para representar o sotaque característico da população afro-americana. Evidentemente, as legendas em português não dão conta de expressar as mesmas especificidades que são intraduzíveis e não dispõem de marcas correspondentes na nossa língua. O roteiro do filme também investe na ausência de verbos auxiliares modais e na falta de tempos verbais nas falas do personagem negro.

A outra surpresa é que Zambo não é interpretado por um negro, mas por Jules Cowes, ator branco que pintava a pele para as gravações. Tal prática era comum nas produções cinematográficas dos EUA na época, compostas exclusivamente de atores brancos. O Cantor de Jazz (“The Jazz Singer”), clássico de 1927, além de ser o primeiro filme falado, tem seu protagonista, um personagem negro, também interpretado por um branco – o ator Al Jolson. Não se trata, certamente, da inexistência de negros com talento para a dramaturgia na época, mas de problemas e equívocos sociais graves que restringiam o acesso dessa população à indústria cinematográfica.

“O Mundo Perdido” é baseado na obra literária de 1912 de Sir Arthur Conan Doyle, o mesmo criador do personagem Sherlock Holmes, e conta a história de uma expedição a uma região inóspita da floresta amazônica que, isolada pela vegetação densa e pelos penhascos, ainda guardava dinossauros e outros remanescentes da vida pré-histórica.

Utilizando animação de bonecos em stop motion, o filme foi um marco dos efeitos visuais que, em 1925, impressionou tanto as plateias quanto o lançamento de Parque dos Dinossauros (Jurassic Park), em 1993, já com efeitos digitais. O lançamento da sequência de Parque dos Dinossauros com o título  “O Mundo Perdido: Jurassic Park” (The Lost World: Jurassic Park) de 1997, é uma das homenagens ao filme de 1925.

Os responsáveis pela mais recente homenagem a “O Mundo Perdido”, contudo, são os estúdios da Disney / Pixar, com o longa “Up“, de 2009. Em Up, os personagens viajam em uma casa suspensa por balões de gás hélio até um monte na Amazônia venezuelana, cuja paisagem é claramente inspirada nos cenários de “O Mundo Perdido”.

Em "O Mundo Perdido" (1925), uma expedição a um altiplano na floresta amazônica descobre formas de vida pré-históricas. O filme explora insistentemente a fotografia da falha na rocha que dificulta o acesso ao topo do penhasco.

Em "Up" (2009), os personagens viajam para a mesma paisagem que serviu de cenário para "O Mundo Perdido".

Ainda que casas suspensas por balões e dinossauros vivos residam meramente no imaginário dos criadores, o cenário desses filmes não é ficção. A paisagem inóspita e de acesso extremamente difícil que estimula a imaginação das pessoas há décadas é o Monte Roraima, elevado com paredões verticais de 400 metros de altura localizado na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guyana, em plena Amazônia. Descoberto em 1596 por um explorador britânico, o monte alimentou a imaginação das pessoas por 3 séculos antes de ser escalado pela primeira vez, em 1884.

Monte Roraima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guyana: o mistério criado ao redor da montanha inspirou histórias que acabaram nas telas do cinema

Além da trilogia Parque dos Dinossauros e do longa de animação Up, O Mundo Perdido também é conhecido por ter inspirado a história de King Kong.

Agradecimentos: Valdair Grotto

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[Update – 17/09/2011] O passeio de helicóptero registrado no vídeo a seguir revela alguns detalhes do Monte Roraima:

September 15, 2011 Posted by | Cinema | , , , , , | Leave a comment

   

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